Uma coisa engraçada aconteceu comigo semana passada: Minha psicóloga me deu "alta". Eu definitivamente não esperava ouvir isso quando fui me consultar.
Faz quase dois anos que iniciei tratamento psicológico, inclusive já citei alguns causos do processo em textos anteriores. Quando iniciei, eu meio que quebrei um tabu da minha família, que é aquela que tradicionalmente acredita que quem precisa tratar a mente é louco, melhor ir para remédios e tá bom. Nem todos pensam isso, claro, mas eu acho que sou o único que fez terapia entre todos os meus primos, tios, avós e agregados. Minha mãe também nunca fez, mas curiosamente ela que me indicou fazer.
Quando iniciei, eu tinha basicamente 4 fatores que estavam pesando na minha vida: O fim do meu casamento, insônia grave (a ponto de nem dormir em algumas noites), problemas de autoestima com minha aparência e um altíssimo nível de estresse no meu trabalho.
Sabe, apesar de eu escrever com facilidade sobre o que penso e sinto, no mundo real eu sempre fui um pouco travado. Quando fui para terapia, tentei uma abordagem diferente: FALAR.
E eu falei. Falei muito. Expus sentimentos, ideias, realidades, coisas que eu achava, coisas que pessoas próximas achavam, situações íntimias (nem todas, claro, ela não estaria preparada para o Dark Eric Metal Destruction) e por aí vai.
Com pequenos passos, tendo sugestões/orientações de alguém externo ao meu convívio, vieram resultados. Não existe mágica. Além de falar, precisei ouvir, assimilar, refletir e por em prática.
Cuidei mais da minha aparência. Com alguns tratamentos capilares, nutricionais, pouquíssimas bebidas alcoólicas e muito treino. Treinar sempre treinei, mas a mente estava longe e desalinhada com o corpo, precisei remodelar o mental para ter foco e disciplina. Aliás, treinei tanto que conquistei minha amada faixa preta. Dedicarei um texto a isso eventualmente.
Cuidei de meu sono. Tomei remédios por um bom tempo, mas hoje estou me desapegando deles e praticamente tendo uma rotina normal de sono. Praticamente, não integralmente, mas é assim mesmo.
Trabalhei meus sentimentos e emoções. Não vou expor detalhes conjugais, acho injusto falar de situações e relações quando não tem a outra parte para rebater, mas digamos que hoje me encontro em paz.
Ah, e o estresse no trabalho? Faz um mês que fui demitido, o estresse saiu no nível 11 para 2. Não é piada, minha vida está 300% melhor. Estou em ócio, mas sou obstinado, logo estarei trabalhando novamente, prometo um texto reclamando no novo serviço num futuro próximo.
Além disso, várias outras coisitas, atitudes, pessoas que entraram na minha rotina (e outras que afastei), hobbies, dogs felizes que me esperam quando chego em casa, familiares amorosos, em um conjunto de fatores culminaram que recebi com entusiasmo o "Pois então, posso te dar alta, Eric?".
A vida nem sempre são morangos doces. As vezes é um abacaxi azedo. Mesmo assim, um abacaxi azedo, preparado corretamente e com a dose certa de açúcar, vira uma ótima caipirinha. Sigo com a mente em construção para que as caipirinhas permaneçam doces.
Obrigado pela sua leitura.
