Outro dia foi aniversário de um dos meus melhores amigos. Para lembrar este momento planejei fazer o mesmo que todo mundo faz, uma postagem nas redes sociais com uma montagem tosca e mensagem mais tosca ainda. Qual foi a minha surpresa ao ver que tinha poucos ou basicamente nenhum registro recente de nossos encontros?
Parei um pouco para pensar, naqueles momentos filosóficos existenciais que normalmente ocorrem durante o banho (mas nesse momento em questão eu estava deitado), e percebi como eu tenho de fato poucas fotos e registros dos momentos legais e importantes da minha vida. Aliás, muitos deles eu simplesmente estou de coadjuvante na postagem ou foto de outras pessoas, mas as minhas mesmo são poucas ou quando muito uma ou outra.
Nas vezes que fui contestado sobre isso, as pessoas que questionavam davam a entender que eu não me importava ou não ligava para o que estava acontecendo. "Como tu não lembrou de tirar foto do evento?", "Como tu não tirou foto com fulano/ciclano no aniversário dele?", "Como que tu fica uma semana no Rio de Janeiro e só tirou 8 fotos?", e por aí vai.
Até olhei minha galeria agora, engraçado que meus registros dos últimos meses são basicamente fotos dos cachorros, fotos da geladeira para lembrar o que tem que comprar no mercado, uma ou outra selfie para mandar "o look" para alguém e ali pelo meio algumas que de fato são "registros" de momentos, mas que geralmente são uma ou duas, enquanto pessoas "normais" teriam algumas dezenas.
Mas quer saber, a verdade é que eu me importo demais com estes momentos. Me importo tanto, que prefiro aproveitar eles. Fico 4 horas conversando com meus amigos sem sair uma foto do encontro Odinista, fico uma tarde inteira passeando por pontos turísticos no RJ e apenas admirando o que vejo ao invés de tirar fotos, fico um dia inteiro na praia apreciando as ondas (e as pulando) e tomando sol na nuca. Esses e diversos outros momentos, quando eu me importo, quando eu gosto, quando me impacta, eu aproveito. E quando eu aproveito, admito, tirar fotos é a última coisa que eu lembro.
Pode soar um pouco egoísta, mas todos estes momentos eu tenho fotos sim, elas estão salvas no meu HD da mente e tenho acesso a elas o tempo todo, só fica difícil de postar. Até penso que quando alguém posta demais, está apreciando de menos o que está registrando, mas não vou transformar este texto em um daqueles de juízo de valores. Hoje estou de bom humor.
Aliás, ainda pensando um pouco mais, reparei como fotos eram mais importantes na época analógica. Ainda possuo diversos albuns da infância e juventude, e como eram comum rever eles ou mostrar para as visitas. A maioria com aquelas máquinas da Kodak, Fujifilm ou outras genéricas vendidas em camelôs. A frustação que era tirar uma foto e depois de revelada ver que estava de olhos fechados, ou ainda que o filme deu problema e a foto nem saiu. Ou pior ainda, como elas eram "reveladas" nas lojas, volta e meia tinha alguma meio constrangedora, então certamente o dono da loja sabia do teu mico. Bons tempos.
Sim, eu sou saudosista, mesmo com as facilidades tecnológicas de hoje, sinto que regredimos em muitos aspectos. Mas, novamente, estou de bom humor, não vou entrar nesse ponto.
Não vou fazer nenhum fechamento existencial neste texto, eu apenas queria escrever um pouco. E já que o assunto são fotos, abaixo uma do Ícaro, o Golden. Meu Golden. Meu Goldinho. Meu cachorro lindo, o sonho da minha vida, que foi um presentinho de grego e ganhou seu espaço no meu coração. Viva Ícaro, esse sempre terá uma foto na minha galeria.
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