Agora que chegou aqui não tem mais volta, meu amigo.

Então leia e aproveite o que minha loucura criatividade tem para oferecer.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

I'm Still Standing

Por vezes, em determinadas ocasiões, minhas mãos tremem. É uma reação comum após levantar/puxar muito peso em um treino de musculação ou após uma sequência forte e duradoura de socos no Muay Thai ou Kickboxing (treino os dois). E, claro, as vezes elas tremem de nervosismo.

Eu me vi em situações angustiantes, nervosas e/ou geradoras de ansiedade em muitos momentos este ano. Quando, nestes momentos, eu via minha mão trêmula, escondia e deixava a vista apenas a minha máscara de força, a segurança e fortaleza que sempre prezei, mesmo que falsa em muitas ocasiões.

Feedbacks que não eram esperados no trabalho, noites e mais noites de estudo, tratar o psicológico em sessões semanais, treinar em busca de um corpo mais saudável, mudanças de hábitos alimentares, chamar aquela menina para uma volta no parque, tentar ver os poucos (mas fiéis e sempre bons) amigos, ajudar a família, ser um bom filho, rever meus cachorros após viajar por dias, terminar uma sexta ou sábado de noite olhando para o vazio e tentando não entrar em uma garrafa de vodka, todas essas e outras ocasiões que tremeram as minha mãos. Como pode ver, nem todas são situações ruins, a tremedeira também é por coisas boas.

Escreve este texto na véspera de Natal de  2025. Toda a família está reunida na minha avó, eu irei para lá também, mas resolvi tirar uma pausa para escrever este último texto do ano.

Eu sou um cara do Metal, sempre fui e sempre serei, mas o título deste texto é uma música do Elton John. A mensagem é simples, eu continuo de pé (I'm Still Standing). Não importa o que aconteça, não importa o vazio que eu sinta, o olhar distante que reflete no espelho, não importa o tremor que tenha em minhas mãos, eu permanecerei de pé.

Que você, que lê este texto, junte forças e vença o tremor que tem em suas mãos quando ele surgir. Obrigado pela leitura.

domingo, 5 de outubro de 2025

Garimpeiro

Uma das coisas que mais fez parte da minha adolescência foi garimpar bandas (na internet discada), CDs, revistas, gibis e posteres de rock ou de meus desenhos preferidos. Quase todo meu tempo livre era voltado para procurar em sites duvidosos, sebos (também duvidos) e em grupos de amigos (muitos, aliás, também duvidosos) que tinham alguma gravação rara daquela banda Holandesa que o CD não chegou no Brasil.

Olha, pensando hoje, era bem complexo e foram muitas horas dedicadas. No geral era bem satisfatório, era um hobby agradável e me entretia. Exceto naqueles casos onde, por exemplo, passava uma tarde inteira baixando um CD pra descobrir depois que não era o que eu procurava, alguém tinha renomeado um de pagode para sacanear quem baixasse. Pensa num muleque que ficava bravo com isso, era eu.

Mas o paralelo que quero fazer é que hoje, com a internet a mil, tudo é muito mais fácil. Agora a pouco eu estava fazendo o almoço e coloquei no som um ao vivo do Led Zeppelin, daquele CD How The West Was Won. Quando tocou Stairway to Heaven eu parei e fiquei do lado da caixa de som. Fechei meus olhos na hora do solo de guitarra, que nesta versão é bem mais extenso que o normal, cheio de técnica e virtuosismo. Eu fui trasportado no tempo, o pequeno Eric estava ali ouvindo como se fosse a primeira vez.

Por quê cito essa música em particular? É uma memória antiga.
Esse show tinha alguns clipes que passavam eventualmente na extinta MTV Brasil, e eu me recordo como fiquei louco quando vi, e me dediquei horrores a procurar pra ouvir de novo. E saiba que foi uma das coisas mais difíceis na época. Não tinha o clipe no recém criado youtube ou outras plataformas de vídeo da época. Eu ficava olhando na TV para gravar mas não passava de novo. Comecei a procurar na internet para baixar, mas era uma fase que a disseminação dos downloads ainda estava engatinhando.

Sabe que eu achei o CD em um site? Mas era para ouvir online apenas, e tinha que pagar em dólar, ele só deixava ouvir o primeiro minuto da música! Droga!!!! Acredita que além disso eu achei o CD para vender em uma loja? Mas era importado e muito caro (na época), fiquei apenas babando nele.

Por fim, desisti. Nem tudo se conquista com esforço. Mas hoje, cerca de 20 anos depois, tenho ele ao alcance da mão para ouvir a hora que quero, e é o que estou fazendo nesse momento. A mágica de ter encontrado depois de horas de trabalho duro não é a mesma, eu queria ter achado ele naquela época, mas tudo bem, faz parte.

Eu preciso desfrutar mais das coisas boas que a vida oferece, e esse CD, definitivamente, é uma delas.



segunda-feira, 11 de agosto de 2025

As pedras que cada um carrega

 Uma vez, não me recordo o contexto a qual foi dito, mas um colega disse a frase "cada um sabe as pedras que carrega". A situação passou em branco, a frase ficou na minha mente até hoje.

Ao longo da vida, vamos juntando pedras, algumas pequenas, algumas grandes, e elas vão se acumulando em nossa bagagem. Feliz são os que carregam pedras pequenas e leves, tristes aqueles que possuem pedregulhos enormes, as vezes são rochas formidáveis dignas de confrontos de StrongMan. Pior ainda quando estas rochas são colhidas na juventude, e fazem peso durante toda a jornada da vida.

Muitos adoram julgar os outros, sem saber as pedras que carregam. Minha avó, por exemplo, tem pedras pesadíssimas, a décadas. Não vou falar a respeito, seria indelicado expor publicamente o que se passa na vida privada dela. Uma vez, ela teve uma crise, estava sem tomar seus remédios para acalmar, após mais uma dessas pedras machucá-la gravemente. Ela chorou, pos as mãos no rosto e falou "Será que eu sou uma pessoa assim tão ruim? Por quê eu tenho que passar por isso?". Eu não sei vozinha, não sei mesmo. Só me restou dar um abraço naquele momento.

Apesar desse fardo, minha avó é uma pessoa formidável. Sem educação básica, deu estudo a todas as filhas. Sem conhecimentos cultos, fomentou que filhos e netos estudassem, trabalhassem e fossem pessoas decentes. Sem influência na sociedade, projetou sua influência em todos nós. Mesmo com pedras pesadíssimas, ela foi morro acima por décadas, sem esmorecer.

Eu carrego minhas pedras também. Infelizmente algumas muito pesadas. Eu também, por vezes, me olho no espelho e faço as mesmas perguntas que ela fez aquele dia: O que faço de errado para ter isso? Sou assim uma pessoa tão ruim?

Como algumas dessas pedras pesam, como doem, estão ali diariamente machucando minhas costas. Mas quando estou pensando em desistir, o esforço de minha avó aparece na mente. Ela tem pedras maiores e carrega desde antes de meu nascimento. Ela disse uma vez que fica feliz em ter um neto tão forte, querido e que ajuda quando ela precisa. Se uma pessoa com esse fardo dela consegue sorrir e incentivar, eu não vou ceder para nenhuma pedra, não importa o peso.

Eu falei este relato para minha psicóloga a uns dias. Não sei se a terapia está funcionando, eu só vou indo e fico falando, mas não vem ao caso. O que vem ao caso foi a resposta certeira da doutora: "Com que frequência, ao invés destas aí, as perguntas que faz a si mesmo são "o que estou fazendo certo? No que estou sendo bom como pessoa?".

Eu não tenho resposta. Nem para as perguntas negativas, tampouco para as positivas. Mas isso carece de mais reflexão, por ora eu vou comer um pedaço de bolo que minha avó trouxe antes. Bolo de milho. Eu nem gosto muito, já disse pra ela várias vezes que não é meu preferido (o bolo de chocolate dela que é meu favorito) mas ela esquece e faz mais o de milho. Não importa, igual eu não reclamo, agradeço e como com muito bom gosto. Não tem necessidade um bolo de milho ser uma pedra nas costas, é só um bolo e igual parece muito gostoso.

Obrigado pela sua leitura, e que suas pedras não sejam muito pesadas.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

O Príncipe das Trevas

 Ontem, 22 de julho de 2025, faleceu Ozzy Osbourne. Esse acontecimento mexeu comigo, mesmo eu nem considerando ele meu artista preferido no Black Sabbath (Dio é meu ídolo máximo). Ozzy tinha pra mim um significado além do musical, era um dos criadores e representante do estilo que definiu meu caráter, o Heavy Metal.

O Eric adolescente, que passava tardes inteiras pesquisando novas bandas, em uma tarde específica descobriu o Sabbath. Aquela aura, aquele peso, aquela atmosfera, nunca tinha visto nada igual. Me transformou, me moldou. Pesquisei sobre eles, sobre influências, sobre o que fizeram antes, durante, depois, quem veio, quem foi, onde se alimentam, putz vieram aqui em mil novecentos e alguma coisa tocar e eu ainda não era nascido pra ver (droga), e por aí vai.

Ozzy, especificamente, nem era meu ídolo musical como mencionei antes, mas sempre me cativou como uma figura peculiar. Eu inclusive achava sua carreira solo melhor que muitos dos trabalhos dele no Sabbath, mas ele era místico em sua trajetória, pelas loucuras. Eu tenho o livro dele, morria rindo com tudo que ele fez. E não são lorotas, tem muita foto e gente para comprovar que ele era aquele ser indomável e imparável. Arrancar cabeça do morcego, cheirar formigas, mijar em monumentos históricos, a série de TV The Osbournes, fora o uso absurdo de substâncias.

Tive o provilégio de vê-lo ao vivo duas vezes. Em 2011 com sua banda e a outra me fugiu agora o ano, se foi 2015 ou 2018, com o Black Sabbath. Duas noites magníficas e inesquecíveis, sem reclamações.

Mas por quê será que seu falecimento mexeu comigo dessa maneira? Não tenho uma resposta específica, mas é como se um capítulo do meu livro da vida fosse encerrado. O frescor que a figura Ozzy fez no Eric adolescente gerou raízes que perduraram por mais de 20 anos e parece que com sua ida essas raízes foram cortadas. Eu senti o mesmo com o falecimento de Ronnie James Dio. Eu que já sofri algumas perdas na vida, fico abalado quando as despedidas são de meus ídolos.

Mas o Metal é resistência, é selvageria, é confrontar o que te oprime. Ozzy foi um exemplo para gerações. Sua despedida do plano terreno pode ter fechado um capítulo para mim, mas a muitos outros em continuidade e muitos outros que serão iniciados. É isso que o Heavy Metal me faz, é uma chama de fúria, velocidade e peso que nunca se apaga, não importa o quanto a sociedade tente nos corromper.

Viva o Metal. Viva a memória e legado de Ozzy Osbourne. Um ode a tudo que ele representou.